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Catedral da Sé – Uma jóia histórica a ser explorada

Não é comum encontrarmos paulistanos que conheçam o interior da Catedral da Sé, embora com sua localização privilegiada na região central e tendo a poucos metros da porta principal o Marco Zero da cidade, isto é, o ponto de referência no sentido de distância medida entre São Paulo e outras localidades, ela não é muito visitada por moradores locais. O acesso é extremamente facilitado, sendo que a Estação Sé do Metrô fica a metros da Catedral e serve de conexão para duas linhas (vermelha e azul) deste meio de transporte.

Enquanto turistas geralmente enfrentamos filas para entrar nas catedrais de Notre-Dame (França); São Pedro ou São Marcos (Itália); Canterbury (Inglaterra); Colônia (Alemanha) só para citar algumas entre centenas pelo mundo, a nossa Catedral da Sé é esquecida. Muitos turistas que vêem a São Paulo não incluem o passeio a catedral em sua programação, o que é uma pena. É algo a ser repensado por paulistanos, paulistas e turistas. Sua historia é a síntese da própria cidade de São Paulo, com suas transformações, reconstruções, contradições e também, não podemos deixar de apontar, prosperidade e crescimento. Para entender tudo isso, podemos retroceder ao ano de 1589, quando o cacique Tibiriçá, grande líder da tribo Guaianá, que povoava esta região, escolheu o lugar onde seria construído o primeiro templo cristão na pequena e desvalorizada vila de São Paulo de Piratininga. Toda construída em taipa de pilão (mistura de barro e palha socados que dão revestimento as toras de madeiras, formando as paredes).

Catedral da Sé. Foto: Jefferson Pancieri-SPTuris

Foto: Jefferson Pancieri-SPTuris

Tibiriçá foi o primeiro cacique a ser catequizado e batizado pelos padres jesuítas, entre eles, o lendário José de Anchieta. A vila cresceu e a igreja necessitou de ampliação, em 1745 a “velha Sé” foi elevada a catedral. Neste mesmo ano foi demolida e começou a construção de outra catedral, agora com estilo Colonial Barroco, concluída em 1764. Essa igreja se tornou a principal da região, sendo apontada como uma das muitas razões do grande crescimento da cidade, devido à religiosidade da população. Mas, em 1911 ocorre outra demolição total, pra dar início a um projeto grandioso e digno da próspera cidade, a construção começa em 1913, da catedral que conhecemos hoje. Foi inaugurada, com as torres ainda inacabadas, pelo atraso das obras devido às duas guerras mundiais, em 1954, no dia do aniversario da cidade, 25 de janeiro, para comemorar seu quarto centenário.

Neste breve histórico, identificamos a não preocupação com a preservação do patrimônio histórico cultural religioso, já que todas as construções foram demolidas para novas serem construídas no mesmo local, sendo que terreno era o que não faltava para serem construídas na própria região. Teríamos, assim, um espaço com as respectivas construções representantes de sua época e influências arquitetônicas e tecnológicas utilizadas. Hoje a Catedral da Sé é a maior igreja de São Paulo, com 111 metros de comprimento, 46 de largura, duas torres de 92 metros de altura e uma cúpula central enorme. O estilo eclético, por possuir vários elementos de estilos distintos, mas que predomina é o Neogótico, inspirada nas grandes catedrais medievais européias. Tem, em termos arquitetônicos a forma de uma cruz latina, com cinco naves e transepto com imensa cúpula. Grande rosácea, sobre a porta principal, adorna a fachada e trás luminosidade colorida ao seu interior. Foi planejada pelo arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl.

O órgão musical de tubos foi construído em Milão, com cinco teclados de 61 teclas cada, produzindo um complexo sonoro de timbres peculiares, é o maior da America Latina.

No subsolo há uma cripta, com câmeras mortuárias de grandes nomes da historia de São Paulo, inclusive do cacique Tibiriçá. As muitas e belas peças sacras em bronze e mármores nobres dão o acabamento suntuoso a uma construção desta magnitude, são obras realizadas por encomenda para serem colocadas em lugares específicos, com isso a leveza e harmonização integrativa são percebidas pelo visitante.

O prédio também tem importância na vida política do país, pois, em tempos da ditadura militar, o Cardeal Arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns um militante pelas causas humanitárias, dedicou tempo e esforços denunciando crimes, torturas, irregularidades e cedendo a catedral para manifestações políticas ecumênicas pelos desaparecidos políticos e pela anistia. Enfim, sobram motivos para conhecermos esta grande jóia incrustada no centro velho da cidade que é uma metamorfose eterna.

Catedral da Sé
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 19h; sábado, das 8h às 17h; domingo, das 8h às 13h.
Horário das missas: de segunda e sexta, às 9h, às 12h e às 18h; terça, quarta e quinta, às 12h e às 18h; sábado às 12h; domingo às 9h, 11h e 17h.
End.: Praça da Sé, s/n – Centro – São Paulo (Metrô Sé).
Tel.: (11) 3107-6832
www.catedraldase.org.br


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Por Anderson Zenidarci – psicólogo, supervisor, palestrante, pesquisador, professor universitário de graduação e pós graduação. Um viajante incontrolável e amante de arte que dedica-se em disseminar história e cultura em sua coluna Panorama Cultural publicada mensalmente na revista Psique Ciência & Vida.

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