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São Paulo inspira canções – confira cinco sobre a metrópole paulista

Para além de Trem das Onze – Confira cinco canções que citam lugares de São Paulo

São Paulo

Quando o jornalista Guilherme Soares entrou na primeira imobiliária em São Paulo, procurando um apartamento para viver depois de anos morando em Salvador, na Bahia, o corretor lhe informou que o bairro em que estavam, Perdizes, era o reduto do cantor e compositor Tom Zé. “Ele mora três prédios depois daqui e, se você alugar um imóvel nessa rua, vai encontrá-lo em alguma padaria a qualquer momento”, contou.

Guilherme alugou o apartamento e, de fato, a profecia se cumpriu: um dia, quando decidiu parar em um supermercado depois do trabalho, deu de cara com o tropicalista baiano na fila do caixa. “Como sempre, ele estava falando com todo mundo e não se fazendo entender”, brinca.

Tom Zé é um dos nomes da música brasileira que, mais do que viver na cidade, colocaram-na em suas canções. No disco Todos os Olhos, de 1973, há a canção Augusta, Angélica e Consolação, em que ele faz um jogo com os nomes de três vias famosas da metrópole.

Foi o primeiro nome da Tropicália a fazer isso – Caetano Veloso lançaria “Sampa” apenas em 1978, no disco Muito -, mas não o primeiro a compor uma música sobre a cidade. A seguir, contamos outras cinco canções que se passam em lugares não tão óbvios da Terra da Garoa.


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Adoniran Barbosa – Iracema

Em 1978, anos antes de morrer, Adoniran Barbosa ouviu da cantora Elis Regina que, no encontro que os dois teriam em um boteco do bairro do Bixiga, no centro de São Paulo, para gravarem uma pequena apresentação, era obrigatório que cantassem Iracema, canção composta por ele e gravada por muitos artistas nas décadas anteriores, mas só interpretada pelo compositor no seu disco de 1974.

Assim, entre clássicos como Saudosa Maloca e Um Samba no Bixiga, Adoniran e Elis deixaram também uma bela versão da música para a posteridade. “Não é porque o samba é meu, mas você canta gostoso”, comenta Adoniran no vídeo depois da interpretação da cantora e do monólogo dele no meio da canção.

O lugar da metrópole que serve de pano de fundo para a canção é a Avenida São João, que começa no Largo do Paissandu, no centro, e vai até a Barra Funda, na zona oeste – por um longo trecho, ela é coberta pelo Elevado Presidente João Goulart, conhecido como “Minhocão”. Iracema, por sua vez, era a noiva do eu-lírico, que perpassa toda a canção lamentando a morte dela em um atropelamento na São João (“Iracema, eu sempre dizia/ Cuidado ao travessar essas ruas/ Eu falava, mas você não me escutava não/ Iracema, você travessou contramão”).

No monólogo, o eu-lírico conta que faltavam 20 dias para o casamento quando Iracema atravessou a São João, “veio um carro/ te pega e te pincha no chão”. A mulher ainda foi para o hospital, mas não sobreviveu. O motorista é inocentado na própria canção – que, aliás, joga a responsabilidade na falta de atenção dela ao cruzar a movimentada via. Quase cinco décadas depois, com mais carros e pedestres, muitas Iracemas seguem morrendo no trânsito de São Paulo.

Punk da periferia – Gilberto Gil

Uma das canções do disco Extra, de 1983, de Gilberto Gil, é Punk da Periferia, que une crítica social com o anúncio de uma nova tribo urbana no Brasil: os punks. Na década de 1980, o movimento estava em franco crescimento nas cidades brasileiras e, ao contrário dos EUA, onde nasceu, estava intricado na experiência periférica dos jovens, que iam ao centro de São Paulo com um novo jeito de se vestir e de se comportar – e surpreendiam as pessoas comuns.

A periferia citada por Gil é a Freguesia do Ó, na zona norte, bairro tradicional no subúrbio da cidade. O eu-lírico da canção é um jovem punk que explica fazer parte do movimento porque quer “trazer nossa desgraça à luz”. O refrão, assim como a explicação, é também um sinal de afronta – que brinca com o “ó” do nome do bairro: “Sou um punk da periferia/ Sou da Freguesia do Ó/ Ó/ Ó, aqui pra vocês!/ Sou da Freguesia”.

Ao longo da canção, o eu-lírico revela seu cabelo moicano, seu comportamento controverso (“Saber que entraremos pelo cano/ Satisfaz”, em referência à gíria que significa ser detido pela polícia) e sua movimentação pela cidade em direção ao centro (“Dez minutos antes de virar fumaça/ Nós ocuparemos a Praça da Paz”, que indica um ponto de encontro punk no Parque do Ibirapuera, na zona sul). Gil não deixa de embutir uma crítica à própria metrópole ao colocar na boca do sujeito da música que “Eis que esta cidade é um esgoto só”.

Gilberto Gil, vale lembrar, chegou em São Paulo em 1965 para trabalhar na multinacional Gessy Lever (hoje Unilever) logo após se formar em administração na Universidade Federal da Bahia. Morando no centro da metrópole, ele conviveu com o amigo Caetano Veloso – que morava na Avenida Ipiranga, na República – e com outros nomes da MPB que o colocaram no círculo musical da cidade.

São Paulo

Curumin – Paris-Vila Matilde

Um dos novos nomes da música brasileira e de São Paulo, o baterista, compositor e cantor Luciano Nakata, conhecido como “Curumin”, é hoje um dos principais músicos da cidade – não apenas pelos shows lotados, mas por fazer dela sua matéria-prima de composição.

Em muitas de suas canções, não há referências explícitas à metrópole, mas o jeito de viver nela está impregnado, como em Magrela Fever, do disco Japan Pop Show (2008), que usa as gírias (“magrela”, “maciota”, “magrelinha”) dos jovens da periferia que vão ao centro de bicicleta, ou em Sampa Japa Sample: Dai Tokio Undo, do seu disco de estreia, Achados e Perdidos, de 2002, em que funde o samba, estilo musical tradicionalmente brasileiro, com a comunidade japonesa marcante de São Paulo.

Mas é em Paris-Vila Matilde, do disco Arrocha, de 2012, que Curumin cita lugares da metrópole: o eu-lírico está distante da mulher que ama, vivendo em Paris, capital da França, enquanto ela vive em São Paulo. Para apaziguar a saudade, ele lembra dos percursos que ela faz cotidianamente, com a volta do trabalho entre a Sé, no centro, e a Vila Matilde, na zona leste – os dois bairros são conectados pelo metrô. “Saudade da sua viagem/ Eu todo ar, ele é toda terra/ Terra firme a me inspirar”).

A canção é dividida discretamente com Anelis Assumpção, filha do cantor Itamar Assumpção, que é esposa (e inspiração) do músico.

Maurício Pereira – Trovoa

Não tão conhecido pelo grande público, o cantor e compositor paulistano Maurício Pereira é autor de diversas canções que citam lugares de São Paulo, inclusive a possivelmente mais famosa delas: Trovoa, do álbum Pra Marte, de 2007.

Regravada por Maria Gadú, Metá Metá e A Banda Mais Bonita da Cidade, a canção é um relato da intensidade de uma relação entre ele e sua esposa repleto de acontecimentos ao redor da metrópole, como quando caminha sozinho pensando nela nas ruas da Lapa e da Vila Ipojuca, na zona oeste, ou quando a encontra em uma “padoca” da Santa Cecília, no centro. O próprio Maurício afirmou em entrevista de 2013 que a canção só poderia se passar em São Paulo.

“[A música] precisa do espaço e do vazio de uma cidade grande pra se desenrolar. Mas, dita e cantada desse modo, só podia ser em São Paulo. Tem a geografia, tem o jeito cotidiano, meio bruto, de falar, que é coisa nossa, tem uma pitada de rap. E foi feita numa época em que eu resolvi exacerbar a minha ‘paulistanice’, como se eu me sentisse em um exílio em relação ao Brasil, como se eu cantasse em uma língua ouvida e entendida só em São Paulo, na nossa solidão, no nosso estresse”, afirmou em uma entrevista em 2013.

Maurício também interpreta a canção Modão de Pinheiros, originalmente composta pela banda O Terno. Como diz o nome, a letra conta a história de um rapaz que se apaixona por uma mulher no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. A região é reduto de bares, baladas, galerias de arte, restaurantes, antiquários e lojas modernas, além de receber eventos como o Carnaval, as grandes comemorações da cidade e ser um dos novos pontos de atos políticos da metrópole.

A canção cita várias ruas e avenidas de Pinheiros, como a Avenida Rebouças, que liga a Avenida Paulista até a Faria Lima, já em Pinheiros, ou a Rua Teodoro Sampaio, que começa na avenida Henrique Schaumann e vai até o Largo da Batata. Um verdadeiro mapa musical sobre como andar pela região.

São Paulo

Paisagem urbana da cidade de São Paulo

Racionais MCs – Fórmula Mágica da Paz

O álbum Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MCs, voltou a ser lembrado quando a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciou, em maio deste ano, que a obra seria obrigatória para a prova do vestibular de 2018. Poucos meses depois, quando Mano Brown, vocalista do grupo, fez uma crítica ácida ao Partido dos Trabalhadores (PT) em um comício no Rio de Janeiro, diante do então candidato à presidência pelo partido, Fernando Haddad, e de outros gigantes da música brasileira, como Caetano Veloso e Chico Buarque, Sobrevivendo no Inferno foi novamente alçado como uma obra-prima do nosso tempo. Para completar, neste ano a Companhia das Letras lançou o livro Sobrevivendo no Inferno para aproveitar a esteira do “re-sucesso”.

O álbum, lançado em 1997, tem várias referências a São Paulo e, na verdade, é um trabalho que dependeu da cidade – suas contradições sociais, suas violências, seu racismo, seus problemas urbanos etc. – para ser realizado.

Os próprios Racionais MCs são associados automaticamente com a metrópole e, no caso de Brown, com o bairro do Capão Redondo, no extremo sul da cidade. Em Fórmula Mágica da Paz, obviamente, as referências são a periferia: Estrada de Itapecerica, Cemitério São Luiz, Jardim Santo Eduardo, Grajaú, Funchal, Pedreira… todos na zona sul.

O nome da canção é, por si só, uma grande crítica à forma de viver nessa franja da metrópole: a paz depende de encontrar uma fórmula mágica. “Foi o som que abriu minha cabeça pras várias fitas. Eu tinha 8 pra 9 anos e nos anos seguintes essa música me acompanhou e coincidia com as coisas que eu começava a viver na pele ali na periferia da zona sul e cada quebrada que eu ia nos meus primeiros passeios que eram citadas nesse e em outros sons desse disco”, disse o rapper Rico Dalasam para a Vice.

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